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Uma balada niilista e rock n’roll sobre a impossibilidade da moral, o limite na relação arte/vida e a complexa sexualidade feminina

  • Cultura
  • 20/06/2016 - 20:05
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Há livros que chamam atenção do leitor pela capa. Outros, pela orelha. E há aquelas obras com inícios memoráveis, que prendem o leitor de cara. Em “Bitch”, todos esses elementos estão presentes, a começar pela foto da capa, a orelha de Xico Sá e a frase de abertura, na qual Carol arrebata: “Deleuze disse certa vez que, se você não captar o ponto de demência, o pequeno grão de loucura de uma pessoa, você não pode amá-la de verdade”. Mas, a autora dá um outro recado, ainda no fim desse primeiro capítulo: “Pare o julgamento que você está fazendo agora. Não se engane com esse início erudito e pretensioso. Entre a metafísica e a putaria, eu fico sempre com a putaria.”
A história parte então, desses dois pontos: a personagem principal, Princess, é uma artista plástica de São Paulo que passa as férias no Sul da França, no iate da família, curtindo uma vida hedonista, ligada à arte e ao sexo. A narrativa é intercalada com a história de C., uma escritora também sem inibições, que precisa se isolar para escrever seu novo livro. Com cenas provocantes de sexo e reflexões filosóficas e literárias, as duas se relacionam com seus amantes, amigos, família e namorados e têm um encontro seminal na história.
Os personagens femininos são fortes. A avó de Princess, por exemplo, é uma famosa artista plástica, cuja liberdade influencia a arte da neta. O sexo, na narrativa, é descrito como uma via de poder da mulher. “É um livro de buscas femininas, mas que fogem do clichê. Não é um conto de fadas, não é uma história de amor, porque, ao contrário do que nos fizeram acreditar, não é só isso que a mulher busca. A mulher não precisa deixar de ser sensual e usar sua sexualidade porque precisa ‘ser respeitada’. A Princess representa muito essa minha ideia que tem sido um statement na minha vida. Claro que quem detém o desejo do outro está no poder. E o poder da mulher é subversivo sim, não podemos temer ele em sua totalidade (que passa pela sexualidade)”, afirma Carol em entrevista para o blog da Record, que pode ser lida no link:
http://www.blogdaeditorarecord.com.br/2016/06/03/bitch-de-carol-teixeira/

ORELHA
Por Xico Sá

"Logo de cara, Bitch apresenta suas credenciais afetivas e nos arrasta para o banquete dos sentidos: “As pessoas só têm charme em sua loucura: eis o que é difícil de ser entendido.” A citação do filósofo Deleuze guia a largada de Carol Teixeira em uma prosa que nos faz, comovidos leitores, ora cúmplices, ora voyeurs.
Os personagens, em uma dança entorpecida, revelam essa suspensão da sanidade e exibem o “pequeno grão de loucura”. Naturalmente... Ou, em muitas vezes, com rasgos de um certo esnobismo da escola de Oscar Wilde. Princess é o batismo do charme.
Bitch nos fala com a voz de um Tom Waits em uma manhã de inverno. De ressaca. Depois de uma noite “after hours” movida a bourbon, encontros & desencontros. Em momentos de insustentável leveza, Bitch nos sopra o pianinho do início de “I get along without you very well”, do Chet Baker. A trilha do livro é uma obra à parte. Dá pra ouvir a agulha regendo os vinis na vitrola.
“Os cabelos vermelhos de Princess reluziam ao sol da tarde de Saint Tropez como em uma foto com a saturação exagerada no Photoshop”. O roteiro, em imagens lindamente construídas como nesta descrição, vai do très chicfrancês a uma noitada entre o bar do Bahia e o Inferno, no Baixo Augusta paulistano. Com passagem pela Vila Madalena e sua geografia papo cabeça.
Bitch é Bataille e os filmes amadores no Xvideos. Tivesse eu que escrever aquelas frases breves e escandalosas, como nos cartazes de filmes, registraria em letras calientes: Este livro é um tesão. "

Sobre a autora:
Carol Teixeira é escritora, filósofa e escreve para a revista VIP em sua coluna sobre sexo e comportamento. Também é dona do blog A Obscena Senhorita C sobre o mesmo tema. Já publicou dois livros ('De Abismos e Vertigens', pela editora Sulina, e 'Verdades & Mentiras', pela L&PM) e escreveu peças de teatro.

www.aobscenasenhoritac.com.br

Serviço:
O que: Lançamento e sessão de autógrafos do livro “Bitch”
Quando: 22 de julho, quarta-feira, às 19h30
Onde: Livraria Saraiva – Rua Olavo Barreto Viana, n° 36 – Moinhos de Vento

Divulgação: LS8 Consultoria de Imprensa

Fotos: Caroline Barrionuevo e Guilherme Festa