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O MERCADO DO LUXO

Muito gratificante saber que as informações desta coluna têm ajudado pessoas em empresas e despertado o interesse em mais informações e conteúdo sobre o mercado do Luxo. Algumas empresas têm procurado assessoria para a entrada no setor do Luxo e a primeira recomendação tem sido a de que a entrada neste setor, assim como, por exemplo, entrar no mercado de exportação, não deve ser encarada como uma alternativa temporária ou uma tábua de salvação para momentos de crise.

O processo de adaptação da empresa, das pessoas e dos produtos é lento e gradativo e não é recomendável uma mudança repentina de um setor para outro. Bem como não apostar todas as fichas em um único segmento, que pode levar anos para trazer os resultados esperados. A evolução deve se dar de forma programada e bastante planejada para que o resultado, ao longo de alguns anos de adaptação, seja satisfatório.
O mercado do Luxo pode premiar você ou sua empresa com uma reputação inigualável, uma fidelidade maior dos consumidores pela sua marca e margens de preços bem mais atraentes, o que em momentos de crise pode ajudar muito.
Seguindo a tendência mundial, apresentada por Seth Godin em seu livro We are all weird - The rise of the tribes and the end of normal (Somos todos estranhos - A ascensão das tribos e o fim do normal), faz com que as empresas que produzem produtos para as massas repensem suas estratégias e considerem a entrada em um mercado de produtos mais restritos a determinados grupos de pessoas. Ou que, pelo menos, criem produtos com a possibilidade de adaptação dos mesmos para os diferentes tipos de preferências das diversas tribos.
No futuro breve, dificilmente um único produto conseguirá atrair a atenção e gerar resultados em grandes multidões. A segmentação já se faz presente em muitos setores, e no setor do Luxo não é diferente, porém este já está mais preparado para atender minorias. Mesmo no setor do Luxo a ideia é que, por intermédio da globalização, ele se espalhe e assim justifique através de vendas todos os investimentos para a conquista de determinadas posições. Mas a segmentação e personalização estão cada vez mais presentes nos hábitos de consumo da população em geral e muito presentes no setor do Luxo.
Indiscutivelmente, a interação com o consumidor é de vital importância para a inclusão de produtos no mercado. Oferecer produtos com base na prerrogativa de que as pessoas “precisam” consumir é uma estratégia muito perigosa. A mudança não ocorre somente no consumidor, mas também nas empresas de distribuição que, atentas aos movimentos sociais, já se adaptam às preferências dos consumidores e, por consequência, começam a segmentar e focar nas linhas que mais atraem seu público-alvo.
As novas gerações entendem que a riqueza não mais está na quantidade de bens que você acumula e sim no processo de conquista, que deve ter plena afinidade com a personalidade e estilo de vida das pessoas. Este processo de conquista deve proporcionar satisfação pessoal diária e não apenas após anos de sacrifício. Riqueza hoje é poder escolher. O que se quer ser, muito mais do que o que se quer possuir.
Inúmeros sites de aluguel e troca de mercadorias estão crescendo a taxas vertiginosas no mundo moderno e civilizado, inclusive no setor do Luxo. Até mesmo no setor do Alto Luxo a preferência por empresas de aviação que oferecem voos compartilhados tem crescido muito em detrimento da compra de jets particulares. Além disto, a mudança do consumo de Luxo para o consumo de experiência de Luxo tem levado as empresas a criar novas estratégias que ofereçam muito mais que produtos.
A Rede de Hotéis Four Seasons, por exemplo, coloca à disposição dos hóspedes um Boeing para levá-los a diversos destinos pelo mundo com total privacidade e exclusividade. Pode, ainda, organizar um jantar único e exclusivo somente para o casal na Ponte Vecchio, em Florença, ou com uma vista privilegiada da Torre Eiffel.
Muitas empresas de Luxo lançam atualmente coleções mais extensas e dividem-nas entre as diversas lojas da rede, sendo que você já não encontra em todas as lojas os mesmos produtos, conferindo a eles mais exclusividade. Até mesmo a prática do “unselling” vem sendo praticada por empresas, ou seja, a técnica de não vender determinados produtos e fazer com que o consumidor entre em filas de espera, que podem chegar até dois anos, para conseguir o objeto desejado. Através da fidelidade e compra de demais produtos da marca, você terá o privilégio de receber o “carro chefe” e fazer parte de um seleto grupo de clientes. O prazer da conquista e do pertencimento. Nesta tendência do Luxo das experiências entra também o Luxo das emoções.
Segundo pesquisas recentes realizadas por neurocientistas renomados, somos expostos diariamente a cerca de 20.000 situações diferentes, mas somente retemos aquelas que nos causaram algum tipo de “EMOÇÃO”. Outro fator a considerar é que, em função da quantidade de redes sociais e formas de informação disponíveis atualmente, o consumidor consegue dedicar apenas cerca de três segundos de sua atenção para sua mensagem. Antigamente, a televisão conseguia obter 30 segundos de sua atenção em um comercial. É um enorme desafio para as empresas de marketing poder emocionar o consumidor em apenas três segundos para que ele retenha sua mensagem e volte a consumir o seu produto.
Em qualquer setor, a velocidade de adaptação e reação às tendências mundiais é fator decisivo para o sucesso e a conquista do cliente. O setor do Luxo ensina lições e tem exemplos que podem ser aplicados com sucesso por demais empresas.
Boas vendas!

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