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Luzes Brilhantes

Cidade luz do romance e dos mil-folhas, Paris é um dos centros culturais mais efervescentes do mundo. A capital francesa vibra e, ao mesmo tempo, se mantém gentil em um adorável paradoxo que permite que você curta a vida noturna ou relaxe em um dos seus imaculados parques, ouvindo música ou lendo um livro, no meio da tarde. A beleza de Paris não está nas movimentadas atrações turísticas, mas nas esquinas escondidas e áreas mais acolhedoras. É verdade que alguns dos seus mais famosos (e movimentados) pontos turísticos, como o Louvre ou o Trocadero, permanecem deslumbrantes, ainda que um tanto impessoais. Foi no pacífico silêncio do Jardin des Plantes que eu encontrei o meu ritmo. Depois que eu percebi que privacidade era possível, mesmo no meio de um dos mais famosos espaços públicos, decidi tomar meu tempo e absorver cada detalhe.

Não há cidade na Europa que me faça sentir mais em casa do que Paris. Eu entendo que essa declaração possa parecer estranha, dada a fama infeliz que os franceses recebem por serem desagradáveis. Eu não acredito que essa fama seja verdadeira. Sim, eles vão direto ao ponto e, sim, eles podem às vezes ser honestos demais. Porém eu aprendi através dos anos que parte do que os faz tão maravilhosos, são exatamente essas características. Eles sabem de tudo; eles são os melhores em tudo e eles têm o melhor gosto em qualquer categoria. E daí? Não é à toa que eles têm uma das melhores culinárias e vinhos do planeta, sem falar em arte, literatura, cinema e música. Os franceses acertaram mesmo em tudo que fizeram - se não fosse por todo cocô de cachorro espalhado pela cidade e as repentinas greves, Paris seria a cidade perfeita.

Seja na divertida bagunça do Pigalle - lar do Moulin Rouge - ou no topo da colina, na igreja Sacré Coeur (a minha igreja favorita no mundo, o que é um elogio vindo de uma pessoa sem inclinações religiosas), há sempre uma oportunidade para uma parada especial. É numa lojinha local qualquer que paro pra comprar arte desconhecida e conversar com os locais sobre qual seria uma excelente opção para jantar na região, longe dos preços exorbitantes dos lugares mais disputados.

O L’Entrecôte permanece um dos meus restaurantes favoritos em Paris. Introduzido a mim durante minha primeira viagem, é uma preciosidade e normalmente minha primeira parada na capital francesa. Depois de um tempinho de espera na longa fila do lado de fora (sim, esse é um local disputado), você é convidado a se sentar em um restaurante movimentado e cheio de conversas vibrantes e odores deliciosos. No entanto, um menu nunca será oferecido; por um preço fixo, será servido um corte de carne com o famoso molho secreto do L’Entrecôte - que é de dar água na boca só de pensar - acompanhado de fritas e uma salada. No final de sua refeição você recebe opções de sobremesa, café e a conta. E assim, num corrido entra e sai, tempo nenhum é desperdiçado, e é fascinante observar a perfeição do sistema. Este restaurante é tão bem sucedido que atualmente tem três diferentes filiais na cidade e inclusive uma outra em Nova York.

Se meu clima está mais pra um lugar agitadinho, provavelmente eu serei visto no Café Ruc ou no Ginger. Esses dois restaurantes atraem o epicentro da indústria da moda. Durante a semana de moda francesa, é um convite para encontrar algumas das mais celebradas top models jantando com seus agentes e editoras de moda de revistas dos quatro cantos do mundo. Para almoço, outro favorito que nunca desaponta é o L’Avenue. A apenas alguns passos de distância do Hotel Plaza Athénée e esmagado entre lojas como Dior, Chanel, Ferragamo, Celine e o QG da Givenchy, este é o local para uma parada entre um desfile e outro. As mesas na calçada são as mais disputadas e certos fashionistas têm fama de ficar por ali mais de quatro horas, bebendo champagne e beliscando morangos. Para um rápido e bem tradicional almoço francês, eu adoro o Le Castiglione, também um dos favoritos da legendária Grace Coddington, editora da revista Vogue Americana. O ambiente no Castiglione é agradável, descontraído, e a comida é cozinhada à perfeição. Apenas a alguns passos de distância está a Place Vendôme, central europeia da joalheria, onde um dos mais memoráveis roubos de joias aconteceu há alguns anos, tornando essa quadra uma das mais seguras do mundo. Aqui também fica localizado o Hotel Ritz, onde os gliteratti se reúnem e serve também como lar temporário para nomes desde Anna Wintour até Beyoncé.

Nem tudo, entretanto, precisa brilhar pra ser incrível. A fabulosa hamburgueria Ferdi prepara o que é, em minha opinião, um dos melhores hambúrgueres do mundo. Esse aconchegante restaurante é uma instituição local onde os famintos consumidores são recebidos (ou mandados embora) pelo temperamental e divertido proprietário, que nesse caso é o que faz todo o charme do local. As gêmeas Mary-Kate e Ashley Olsen, bem como as irmãs Cara e Poppy Delevigne foram vistas no Ferdi em diversas ocasiões e deram seu selo de aprovação. Depois de terminar o hambúrguer, é sempre uma boa ideia fazer uma parada na Colette pra comprar um (ou vários) dos seus itens feitos especialmente em edição limitada. Esta loja é o paraíso do design; do tamanho certo e recheada com tudo que importa no mundo da moda - aqui não há erro. Se seu desejo, no entanto, é por algo um pouco mais no estilo shopping center, não deixe de passar nas lojas Printemps, Le Bon Marche ou Galeries Lafayette, que são as mais famosas lojas de departamento em grande escala na França. À tarde, uma visita ao Hotel de Crillon para um cafezinho promete ser a escolha correta e mais pomposa. Caso o Crillon não apele para os seus desejos, outra sugestão é dar uma passadinha na praça Madeleine pra visitar a icônica casa de chás Mariage Frères - o meu sabor de chá favorito é o de nome Marco Polo.

Se você for um pouquinho como eu, passar a viagem toda fazendo compras não será o seu estilo. Nesse caso, então, minha sugestão principal é o museu Orangeries, nos limites do Jardin dês Tuileries. Mais íntimo do que alguns dos outros museus da cidade, este guarda obras-primas como ‘Waterlilies’ de Monet entre outras obras impressionistas e pós-impressionistas de mestres como Cézanne, Matisse, Modigliani, Sisley e Renoir. A supermodel Stella Tennant me contou em certa ocasião que, mesmo que esteja com a agenda cheia, sempre faz uma parada nesse museu nem que seja por apenas quinze minutos. Caso haja tempo (e paciência) para os museus mais famosos, não deixe de visitar o d’Orsay e o Pompidou, ambos são de tirar o fôlego. Uma adição muito importante ao portfólio cultural de Paris foi a incrível Fundação Louis Vuitton. Criada por Frank Gehry, este novo ícone da arquitetura moderna e das artes reside no Bois de Boulogne, conhecido por suas mansões e ruas verdejantes. É neste mesmo bairro que o cantor Lenny Kravitz reside, e é conhecido por promover festas íntimas onde o panteão das indústrias da música, moda e cinema se reúnem.

No assunto de festas, a vida noturna de Paris não é de se deixar de lado. Algumas das noites mais divertidas que eu vivi, foram aqui. O clube L’Arc, aos pés do Arco do Triunfo, foi o local escolhido pelo designer Riccardo Tisci por diversos anos consecutivos para receber nomes desde Liv Tyler e Gisele Bündchen até Kim Kardashian para suas festas da marca Givenchy. A mais interessante e divertida boate a abrir suas portas foi o Club Silencio, criado por ninguém menos que David Lynch. Escondido quatro andares no subsolo, o Silencio tem uma variedade de ambientes e corredores longos, e se tornou point de um dos mais coloridos grupos de personagens da cena parisiense.
Porém, em Paris, uma noite enlouquecida não é requerimento para uma noite divertida, como se pode experimentar no sempre clássico Hôtel Costes, onde um brinde com uma taça de champagne é obrigatório. Para um ambiente mais bacana e descontraído, no entanto, o meu favorito é o restaurante Derrière, que é ambientado exatamente como um lar. Você entra em um local que parece a casa de uma pessoa e pode acabar jantando em um dos quartos, sentando na cama ou na sala de estar. Se tiver sorte pode até mesmo acabar na sala de jantar! Se estas opções não estiverem disponíveis porém, você pode matar tempo tomando drinks no bar ou no pátio e jogar bilhar com a irreverente editora de moda Carlyne Cerf de Dudzeele, que está sempre por ali, disposta a conhecer gente nova e dar boas risadas.

Dos mais tradicionais pontos turísticos, eu tento nunca deixar de visitar a igreja Notre-Dame durante horário de missa; o cheiro de incenso e o eco das palavras em francês são sempre inspiradores. O Jardim de Luxemburgo também permanece impressionante. Uma ótima pedida antes de ir pro hotel, pra descansar antes do jantar, é um pit-stop no Café de Flore, local que um dia reuniu renomados artistas como Picasso, Toulouse-Lautrec e Salvador Dali. Antes de ir embora de Paris, vale visitar o restaurante Ladurée na Champs Elysées ou pelo menos fazer uma parada no quiosque da marca no aeroporto, antes de embarcar, para comprar uma caixa de macaroons e presentear uma pessoa especial. Essas iguarias francesas são tão memoráveis quanto um croissant.

Permita-se submergir na cultura local, passear pelas pontes e ruas observando cada detalhe e cada sinal. Procure pelas placas nos prédios históricos, que podem revelar o antigo lar de luminares como Proust, Balzac ou Victor Hugo. Absorva toda sua essência e história e talvez então você vá se apaixonar tanto quanto eu me apaixonei. Nas clássicas palavras de Cole Porter: “Eu amo Paris, em todos os momentos do ano”.

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